sábado, 20 de julho de 2013

se preciso assim de paz é que já não preciso de presença nenhuma que não seja relembrança. disco teu número imaginariamente, te teço declarações oníricas e deixo rasgar no canto do meu lábio sisudo um sorriso breve.
abraçada ao silêncio permaneço, tua sintaxe eu calo afogando-a em meio a minha vida intra-uterina.
no processo de não mais fugir do próprio abraço, prendo-me feito camisa de força e desculpa se já não te nomeio como sujeito da oração, é que toda e qualquer oração no fundo do mar só se consolida em onda, todo o resto que é sujeito vira espuma, se esvai, finito.
essa palavra que costuro presa à folha é o que resta de sentimento, não tem corpo é só conceito. e evito o tu, tudo que em ti é carne, toda e qualquer evocação pois é a sonoridade da tua voz que desfaz o ponto-cruz da letra, emudece o punho, formula dúvida.
sou filha da letra, cerne da oração, minha letra não fala se tece infinita e cria a arquitetura perfeita de um lar. já não desejo namoros, quero poucos amigos, anulo o ideário de família, caso-me com a letra perfurando o peito, fazendo de mim conceito, personagem, amante do verbo.

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